As frentes frias são uns dos principais mecanismos para provocar chuvas nas latitudes extratropicais e subtropicais de ambos hemisférios. O território brasileiro, devido a sua grande extensão, também é afetado pelos sistemas frontais, especialmente ao sul do paralelo 25S onde a frequência destes sistemas é maior. Porém, mais do 50% do território brasileiro pertence a latitudes subtropicais e principalmente tropicais.
A frequência de passagens de sistemas frontais frios depende diretamente da latitude, isto significa que em latitudes mais altas (extratropicais) passam mais frentes frias que em regiões pertencentes a latitudes mais baixas (subtropicais). Por exemplo, em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), ao longo do ano, passam mais frentes frias que em São Paulo (São Paulo). As frentes frias não conseguem penetrar até latitudes tropicais, exceto na porção sudoeste da Região Norte do Brasil e em parte do Centro-Oeste, onde o ar frio penetra quando ocorrem episódios conhecidos como "friagem". Isto acontece nos Estados de Ronônia (RO), Acre (AC), no oeste e centro-sul de Mato Grosso (MT) e no sudoeste do Amazonas (AM).
Por outro, a frequência de passagens de sistemas frontais frios depende das estações do ano. Por exemplo, durante o inverno, passam mais frentes frias que durante o verão. Em Porto Alegre (RS) ou em Buenos Aires (Argentina), devido a que pertencem a latitudes subtropicais (30 e 35S, respectivamente), as frentes frias passam durante todo o ano, porém durante o inverno a frequência é maior. Agora bem, em São Paulo por exemplo, devido a que está localizada mais ao norte (aproximadamente 23S), as frentes frias conseguem penetrar durante o inverno, mas durante o verão avançam principalmente pelo oceano sem atingir diretamente sobre o continente.
Uma pergunta muito comúm feita pelos jornalistas é: Se em SP passam poucas frentes frias durante o verão, então por que chove mais que durante o inverno?
Ou, se durante o inverno passam mais frentes em SP que durante o verão, então por que chove menos. Vale ressaltar que, na cidade de SP durante o verão, chove aproximadamente entre 5 e 6 vezes mais que durante o inverno.
A resposta está na presença do forte aquecimento diurno que existe nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste a partir da primavera e durante todo o verão. A partir de Outubro e aproximadamente até Abril, estas Regiões apresentam um clima tropical. Isto significa, temperaturas em torno dos 30C, altos teores de umidade do ar e em consequência pancadas de chuva a partir da tarde.
Mais do 70% das chuvas que ocorrem nestas Regioes durante este período (estação chuvosa) devem-se à combinação destes fatores, calor e umidade.
As frentes frias avançam principalmente pelo oceano e em ocasiões, organizam um canal de umidade desde o oceano até o interior do continente passando pelas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil. Este canal de umidade pode persistir por vários dias, provocando chuvas intensas e impactos significativos na população. Este fenômeno é conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Porém, está errado dizer que a frente fria se estende desde o oceano até Amazonas (AM).
Cuidado!! Nem toda nuvem é uma frente, nem toda frente é uma nuvem.
Esta conclusão errada acaba confundindo à população, que sempre associa chuva com frentes frias. E como no verão chove mais que durante o inverno, então concluem que no verão passam mais frentes que durante o inverno.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
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